Durante muitos anos, o exame preventivo (Papanicolau) foi o principal método para na prevenção do câncer do colo do útero. Graças a ele, milhares de vidas foram salvas.
Nos últimos anos, porém, o conhecimento científico evoluiu bastante. Hoje sabemos que praticamente todos os casos de câncer do colo do útero são causados por uma infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), especialmente pelos tipos considerados de alto risco.
Por esse motivo, diversos países passaram a utilizar o teste molecular para detecção do HPV como principal exame de rastreamento. O Brasil também atualizou suas recomendações, incorporando esse método em situações específicas.
Por que houve essa mudança?
O teste de HPV consegue identificar a presença do vírus muitos anos antes do aparecimento de alterações nas células do colo uterino.
Isso permite identificar mulheres com maior risco de desenvolver lesões precursoras, oferecendo um acompanhamento mais personalizado.
Além disso, quando o teste é negativo, a segurança é muito alta, permitindo aumentar o intervalo entre os exames sem comprometer a proteção da paciente.

O Papanicolau deixou de existir?
Não.
O exame citopatológico continua sendo importante e ainda será utilizado em diversas situações.
A principal mudança é que, para muitas mulheres, o teste de HPV passa a ser o exame inicial de rastreamento. Dependendo do resultado, poderá ser necessário realizar citologia, colposcopia ou apenas repetir o exame após alguns anos.
Quem deve fazer o teste de HPV?
As novas recomendações indicam que o rastreamento seja iniciado aos 25 anos, mantendo-se até os 64 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual.
A escolha entre o teste de HPV e a citologia dependerá da disponibilidade do método e das recomendações adotadas pelos serviços de saúde.
Quem tomou vacina contra HPV precisa continuar fazendo exames?
Sim.
A vacinação reduz significativamente o risco de desenvolver câncer do colo do útero, mas não elimina completamente esse risco.
Por isso, mesmo mulheres vacinadas devem seguir o programa de rastreamento recomendado pelo ginecologista.
Recebi um HPV positivo. E agora?
Ter HPV não significa que você tem câncer.
Na maioria das mulheres, o organismo elimina naturalmente o vírus ao longo do tempo.
Quando a infecção persiste, pode haver desenvolvimento de lesões precursoras, que geralmente podem ser tratadas antes de evoluírem para câncer.
Por isso, o acompanhamento adequado é fundamental.
A prevenção continua sendo o melhor tratamento
O câncer do colo do útero é um dos poucos cânceres que pode ser prevenido de forma muito eficaz.
Vacinação contra HPV, realização periódica dos exames indicados e acompanhamento ginecológico são as principais formas de reduzir o risco da doença.
Se você tem dúvidas sobre qual exame é mais indicado para o seu caso, nós podemos conversar.

O que mudou, afinal?
| Antes | Agora |
|---|
| Papanicolau como exame principal | Teste de HPV como exame primário em populações elegíveis |
| Repetição em intervalos menores | Intervalos maiores quando o teste de HPV é negativo |
| Rastreamento baseado apenas na citologia | Rastreamento baseado no risco individual e na presença do HPV |